sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A POESIA NA VIDA DA ESCRITORA MARISA VIEIRA

Por: Diego El Khouri

*Conheci a poetisa Marisa Vieira em 2013 nos saraus do Rio de Janeiro. Na época estava morando lá e nos apresentamos diversas vezes nos mesmos eventos. Mais uma grande alma que entrevistei.

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1)   Você transita muito bem entre Brasília (sua terra natal) e Rio de Janeiro (cidade onde mora atualmente). Quais as diferenças mais gritantes, dentro da poesia, nesses dois lugares e como foi seu início nessa "arte de lapidar  palavras"?

 Quando morava em Brasília, meus poemas não saiam das “gavetas, cadernos” e nem mostrava para ninguém,poucos sabiam que eu escrevia, na verdade, nem eu sabia hehe Então lá, no DF não tenho como falar sobre o circuito poético da minha época, atualmente sei que acontece um movimento forte por lá, poetas ativos como Marina Mara, Noélia Ribeiro…

Quando morava em Brasília, meus poemas não saiam das “gavetas, cadernos” e nem mostrava para ninguém, poucos sabiam que eu escrevia, na verdade, nem eu sabia hehe Então lá, no DF não tenho como falar sobre o circuito poético da minha época, atualmente sei que acontece um movimento forte por lá, poetas ativos como Marina Mara, Noélia Ribeiro…
Aqui no Rio, moro na Barra da Tijuca e costumo dizer que moro em “BarraSília” (com sotaque do Alberto Roberto) porque a Barra é igual, em minha opinião…
Meu início? Não recordo bem... cedo, dos 08 anos até uns 13 ou 14, morei com uma outra família, que não era a minha, mas era e minha segunda mãezinha, Dona Carminha, sempre recitava poemas em datas comemorativas, natal, aniversários, talvez tenha sido daí, mas não me recordo tão bem e nunca aprendi a lapidar palavras.

2) O que acha da poesia contemporânea? Quais nomes destacaria?

Em ebulição, muita gente boa, boa mesmo.
Tantos nomes a destacar…nossa‼! ARNALDO ANTUNES, assim mesmo em caixa alta.
Líria Porto, Luis Turiba, Tavinho paes, Chacal, Eduardo Tornaghi…amigos próximos como a Marina Mara que citei acima, é incrível, uma poeta que o Brasil precisa conhecer. Manoel Herculano, um poeta maranhense que tive o prazer de conhecer no Rio de Janeiro. 

3) Você é frequentadora assídua de saraus de poesia no Rio de Janeiro como, por exemplo, o Pelada Poética, evento criado e organizado pelo ator Eduardo Tornaghi (que ocorre toda quarta feira na praia do Leme),  Ratos Di Versos (um sarau bem conhecido na Lapa) e João do Corujão, sarau cujo padrinho é Jorge Ben Jor  e que acontece nas terças feiras de todo mês. Como se dá o diálogo com outros poetas e de que forma tais eventos influenciam no seu trabalho artístico?

Hoje não sou tão assídua assim, mas foi aqui no Rio, especialmente no movimentoCorujão da Poesia que conheci poetas e fiz amigos para a vida toda, digo que sou Marisa AC/DC (antes de depois do Corujão). Papo longo que não dá seguir aqui…
Os eventos de poesia não influenciam no meu trabalho, o Corujão sim, teve um papel importante, por me apresentar a vários poetas e foi através do corujão que conheci os demais eventos. Amo o Pelada Poética, o Mano a Mano com a Poesia, do Mano Melo, Sarau do Mello, do ator e poeta Marcello Melo, eventos que o Tavinho Paes sempre organiza e são sempre uma grande festa e surpresa, um dos melhores que acontecem no Rio do Janeiro. Dialogo bem com todos que conheço.


4) Você pensa no público quando escreve um poema?

Não penso.

5) Você acha que poesia atrai um público restrito? O que fazer para as comunidades  carentes terem acesso à cultura?

Sim. Fiz durante um ano parte da coordenação artística de um sarau chamado OPA! Ocupações Poéticas que acontecia todos os sábado no Monumento a Estácio de Sá (Aterro do Flamengo) e esse evento era muito especial, pois através do Dra. Thelma Fraga, era voltado para as comunidades carentes, levávamos sempre um grupo, como Cidades De Deus, Caju, entre outros…infelizmente após a partida rápida da Thelma, não prosseguimos com a OPA! Mas ainda sonho e tenho vontade de voltar a fazer algo do tipo, pois o que precisa para as comunidades terem acesso à cultura ir até elas e mostrar que as mesmas podem e podem muito.

6) Além de poemas, costuma escrever em outros segmentos literários?

 Não. E sou mais "frasista" do que poeta. Se bem que existe poeta de um verso só...

7) Livro  (s) de cabeceira.

Atualmente a Bíblia, Cem anos de Solidão e muitas matérias e artigos sobre marketing (finalizando a faculdade ufa‼!)

8) Uma lembrança inesquecível.

Bem falando de poesia, uma lembrança inesquecível foi o nascimento da OPA! No dia da ocupação do exército no Complexo do Alemão, passamos um dia inteiro falando poemas, ouvindo os moradores, mães, crianças, foi um dia rico, com muitos músicos, atores e poetas do Rio de Janeiro disponíveis para arte.

9) Uma poesia de sua autoria.

 Negra Vieira 

Sou mar
sou terra
sou ar
da atmosfera


sou rara
sou fogo
cara a cara
abro o jogo


poeta
riso franco
negra
em terra de branco

10) Uma frase pra finalizar.

Vou deixar duas e você escolhe:
Salvou-se, era a rima da família!

Desde o princípio, mesmo sem verba, nunca deixou de crer no verbo.
Marisa Vieira


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

POR: ROGÉRIO SKYLAB

Estão me perguntando se eu não quero concorrer aos melhores do ano. Em qual categoria? Punheta? Aliás, é o único concurso de premiação que deveria existir. Quais foram os maiores punheteiros do ano? Aí sim. Devia também existir uma premiação pros que confeccionam a lista. Porque existe uma profunda relação entre os que confeccionam a lista (os arrombados) e o que fazem parte da lista (os punheteiros). A única premiação que deveria existir é essa. O resto é o resto. Teve um sujeito, certa ocasião, mais feliz do que pinto no lixo porque ganhou um prêmio na biblioteca nacional na categoria de contos. Estava saltitante. Espalhou por toda rede. Que vergonha. Senti pena do infeliz. Eu jamais leria esse sujeito. Todos os prêmios deveriam ser enfiados no cu. Porque é disso que se trata toda premiação. Quem vai ser o próximo premiado?

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

NÃO QUERO SER APENAS MAIS UMA ENGRENAGEM DESSA TERRÍVEL MÁQUINA DE MOER CARNE

eles me vêm com suas velhas morais e obrigações
o aceitam nossas opiniões
querem nos fazer acreditar que temos liberdade
mas isso não existe de verdade
somos livres apenas para fazer o que eles deixam
mas não são ao menos os que se mostram
existem mãos invisíveis nos controlando
estão controlando até o governo
um governo submisso a interesses mórbidos
estamos submissos a interesses escusos
o me curvo a essa falsidade
o acredito na falsa verdade que me ensinou apenas consumir
preciso mais, preciso existir
o vou me suprimir não vão me reduzir
enquanto um se ilude e quer entrar
outro percebe e luta para a algema arrebentar
pular o muro dessa prisão até destruir as paredes
e começar a demolição dessa sociedade ilusória
da mentira compulsória

sábado, 9 de dezembro de 2017

SONETO DA HORA FINAL


Por:  Vinicius de Moraes

Será assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto, de repente
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente
E eu te olharei também, com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de treva aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do Segredo
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo
E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

E como dois antigos namorados
Noturnamente triste e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A MORTE

A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos 
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca inesperada
Ela que é na vida
A grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida.
(Vinicius De Moraes; Rio de Janeiro, 1954)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A OBRA DO ARTISTA DIEGO EL KHOURI NA GLOBO NEWS

No começo desse ano de 2017 a Jornalista Elisabete Pacheco, que apresenta o programa Em pauta na Globo News, fez uma matéria interessante citando meu nome e trabalhos. Agradeço o respeito em relação a minha obra e é mais um incentivo para continuar no ofício labiríntico das artes. 
Nesse link a matéria:


http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-em-pauta/videos/t/todos-os-videos/v/periodo-de-ferias-traz-atividades-culturais-que-saem-do-eixo-rio-sao-paulo/5608331/

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

PANELAS DE AÇO

Por: Marcos Alves Lopes

As panelas se calam quando os cassetetes comem.
O couro docente não escuta o som do panelaço.
No aço, a marca da colher encobre os braços. Pernas.
E não há borracha que apague o silêncio das louças.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

PARA OUVIR O PERFUME



Por: Edu Planchêz


uns malacos tragos na ponta
que diego el khouri deixou
vadiando sobre os ossos
que foram dedos em aleister crowley

comporto em meu céu de estrelas

meu anel de caveira,
a arte de ter-te entre as pernas,
entre os ovários,
nos ovos de prata que compramos
nos arredores de nossas arbóreas saias

barraca armada,

estaca de gametas cravada
no que não rima, no que rima,
no que não rima, no que rima...

mais tragos, mais e mais


a cor vermelha, a cor azul,

a não cor, a cor que invento
para ouvir o perfume,
a fonte do perfume

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

MIJO EM TEUS POEMAS QUE NEM SÃO POEMAS

Por: Edu Planchêz

Mijo sobre seus poemas que nada dizem,
mijo sobre a porcaria de vida que você nos propõe
Mijo em cada pingo de sol,
mijo em você

Cidade sem alma de pessoas opacas,
mundo calado sem o rumo das estrelas,
o que ainda faço em ti?

Homens calados, enrustido em suas casacas de escarro,
eu chamo os filhos do mato para roerem seus pés e mãos,
eu chamo a fada da neve e do fogo da terra para arrombar tuas portas egoístas,
eu chamo a víbora e o cão

Poesia, poeta que não incomoda não merece nem ser chamado de verme,
pois os vermes me dão mais sentidos que vossas cabeças tapadas,
feitas para o preconceito e Reis do dinheiro

O vagabundo aqui assina seu nome no coração desse mundo
com letras de sangue,
se aqui estou não para mergulhar no marasmo de vosso conformismo

Por isso mijo em teus poemas que nem são poemas

terça-feira, 19 de setembro de 2017

PEDAGOGIA DAS FOGUEIRAS

Por: Ikaro Max

outrora as próprias ervas de cheiro, tempeiros, incensos de uso mágico eram vistos como ameaça diante dos dogmas da Santíssima Trindade: pois devolvia aos sentidos a primazia deste mundo & não a arquitetada cegueira de um mundo inventado fora deste.
E as "bruxas" foram perseguidas & queimadas para se arrependerem da profana devoção ao sensível...


Para quê, pois, deixar a estes inquisidores o monopólio das fogueiras & das Noites de São Bartolomeu?

Imensas piras em que obras inteiras, bibliotecas inteiras, Alexandrias inteiras, que datam de Nero a Hitler.

Os catálogos de iguarias
As revistas de sport
Ou de moda
As publicações evangélicas:
& se elas fossem, igualmente,
queimadas?

Não se vê Espírito escrever:
estamos atolados entre corpos & arbítrios
entre privilégios de quem, enquanto casta, legalizou a abominação & o assassinato.