sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A POESIA NA VIDA DA ESCRITORA MARISA VIEIRA

Por: Diego El Khouri

*Conheci a poetisa Marisa Vieira em 2013 nos saraus do Rio de Janeiro. Na época estava morando lá e nos apresentamos diversas vezes nos mesmos eventos. Mais uma grande alma que entrevistei.

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1)   Você transita muito bem entre Brasília (sua terra natal) e Rio de Janeiro (cidade onde mora atualmente). Quais as diferenças mais gritantes, dentro da poesia, nesses dois lugares e como foi seu início nessa "arte de lapidar  palavras"?

 Quando morava em Brasília, meus poemas não saiam das “gavetas, cadernos” e nem mostrava para ninguém,poucos sabiam que eu escrevia, na verdade, nem eu sabia hehe Então lá, no DF não tenho como falar sobre o circuito poético da minha época, atualmente sei que acontece um movimento forte por lá, poetas ativos como Marina Mara, Noélia Ribeiro…

Quando morava em Brasília, meus poemas não saiam das “gavetas, cadernos” e nem mostrava para ninguém, poucos sabiam que eu escrevia, na verdade, nem eu sabia hehe Então lá, no DF não tenho como falar sobre o circuito poético da minha época, atualmente sei que acontece um movimento forte por lá, poetas ativos como Marina Mara, Noélia Ribeiro…
Aqui no Rio, moro na Barra da Tijuca e costumo dizer que moro em “BarraSília” (com sotaque do Alberto Roberto) porque a Barra é igual, em minha opinião…
Meu início? Não recordo bem... cedo, dos 08 anos até uns 13 ou 14, morei com uma outra família, que não era a minha, mas era e minha segunda mãezinha, Dona Carminha, sempre recitava poemas em datas comemorativas, natal, aniversários, talvez tenha sido daí, mas não me recordo tão bem e nunca aprendi a lapidar palavras.

2) O que acha da poesia contemporânea? Quais nomes destacaria?

Em ebulição, muita gente boa, boa mesmo.
Tantos nomes a destacar…nossa‼! ARNALDO ANTUNES, assim mesmo em caixa alta.
Líria Porto, Luis Turiba, Tavinho paes, Chacal, Eduardo Tornaghi…amigos próximos como a Marina Mara que citei acima, é incrível, uma poeta que o Brasil precisa conhecer. Manoel Herculano, um poeta maranhense que tive o prazer de conhecer no Rio de Janeiro. 

3) Você é frequentadora assídua de saraus de poesia no Rio de Janeiro como, por exemplo, o Pelada Poética, evento criado e organizado pelo ator Eduardo Tornaghi (que ocorre toda quarta feira na praia do Leme),  Ratos Di Versos (um sarau bem conhecido na Lapa) e João do Corujão, sarau cujo padrinho é Jorge Ben Jor  e que acontece nas terças feiras de todo mês. Como se dá o diálogo com outros poetas e de que forma tais eventos influenciam no seu trabalho artístico?

Hoje não sou tão assídua assim, mas foi aqui no Rio, especialmente no movimentoCorujão da Poesia que conheci poetas e fiz amigos para a vida toda, digo que sou Marisa AC/DC (antes de depois do Corujão). Papo longo que não dá seguir aqui…
Os eventos de poesia não influenciam no meu trabalho, o Corujão sim, teve um papel importante, por me apresentar a vários poetas e foi através do corujão que conheci os demais eventos. Amo o Pelada Poética, o Mano a Mano com a Poesia, do Mano Melo, Sarau do Mello, do ator e poeta Marcello Melo, eventos que o Tavinho Paes sempre organiza e são sempre uma grande festa e surpresa, um dos melhores que acontecem no Rio do Janeiro. Dialogo bem com todos que conheço.


4) Você pensa no público quando escreve um poema?

Não penso.

5) Você acha que poesia atrai um público restrito? O que fazer para as comunidades  carentes terem acesso à cultura?

Sim. Fiz durante um ano parte da coordenação artística de um sarau chamado OPA! Ocupações Poéticas que acontecia todos os sábado no Monumento a Estácio de Sá (Aterro do Flamengo) e esse evento era muito especial, pois através do Dra. Thelma Fraga, era voltado para as comunidades carentes, levávamos sempre um grupo, como Cidades De Deus, Caju, entre outros…infelizmente após a partida rápida da Thelma, não prosseguimos com a OPA! Mas ainda sonho e tenho vontade de voltar a fazer algo do tipo, pois o que precisa para as comunidades terem acesso à cultura ir até elas e mostrar que as mesmas podem e podem muito.

6) Além de poemas, costuma escrever em outros segmentos literários?

 Não. E sou mais "frasista" do que poeta. Se bem que existe poeta de um verso só...

7) Livro  (s) de cabeceira.

Atualmente a Bíblia, Cem anos de Solidão e muitas matérias e artigos sobre marketing (finalizando a faculdade ufa‼!)

8) Uma lembrança inesquecível.

Bem falando de poesia, uma lembrança inesquecível foi o nascimento da OPA! No dia da ocupação do exército no Complexo do Alemão, passamos um dia inteiro falando poemas, ouvindo os moradores, mães, crianças, foi um dia rico, com muitos músicos, atores e poetas do Rio de Janeiro disponíveis para arte.

9) Uma poesia de sua autoria.

 Negra Vieira 

Sou mar
sou terra
sou ar
da atmosfera


sou rara
sou fogo
cara a cara
abro o jogo


poeta
riso franco
negra
em terra de branco

10) Uma frase pra finalizar.

Vou deixar duas e você escolhe:
Salvou-se, era a rima da família!

Desde o princípio, mesmo sem verba, nunca deixou de crer no verbo.
Marisa Vieira


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

POR: ROGÉRIO SKYLAB

Estão me perguntando se eu não quero concorrer aos melhores do ano. Em qual categoria? Punheta? Aliás, é o único concurso de premiação que deveria existir. Quais foram os maiores punheteiros do ano? Aí sim. Devia também existir uma premiação pros que confeccionam a lista. Porque existe uma profunda relação entre os que confeccionam a lista (os arrombados) e o que fazem parte da lista (os punheteiros). A única premiação que deveria existir é essa. O resto é o resto. Teve um sujeito, certa ocasião, mais feliz do que pinto no lixo porque ganhou um prêmio na biblioteca nacional na categoria de contos. Estava saltitante. Espalhou por toda rede. Que vergonha. Senti pena do infeliz. Eu jamais leria esse sujeito. Todos os prêmios deveriam ser enfiados no cu. Porque é disso que se trata toda premiação. Quem vai ser o próximo premiado?

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

NÃO QUERO SER APENAS MAIS UMA ENGRENAGEM DESSA TERRÍVEL MÁQUINA DE MOER CARNE

eles me vêm com suas velhas morais e obrigações
o aceitam nossas opiniões
querem nos fazer acreditar que temos liberdade
mas isso não existe de verdade
somos livres apenas para fazer o que eles deixam
mas não são ao menos os que se mostram
existem mãos invisíveis nos controlando
estão controlando até o governo
um governo submisso a interesses mórbidos
estamos submissos a interesses escusos
o me curvo a essa falsidade
o acredito na falsa verdade que me ensinou apenas consumir
preciso mais, preciso existir
o vou me suprimir não vão me reduzir
enquanto um se ilude e quer entrar
outro percebe e luta para a algema arrebentar
pular o muro dessa prisão até destruir as paredes
e começar a demolição dessa sociedade ilusória
da mentira compulsória

sábado, 9 de dezembro de 2017

SONETO DA HORA FINAL


Por:  Vinicius de Moraes

Será assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto, de repente
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente
E eu te olharei também, com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de treva aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do Segredo
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo
E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

E como dois antigos namorados
Noturnamente triste e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A MORTE

A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos 
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca inesperada
Ela que é na vida
A grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida.
(Vinicius De Moraes; Rio de Janeiro, 1954)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A OBRA DO ARTISTA DIEGO EL KHOURI NA GLOBO NEWS

No começo desse ano de 2017 a Jornalista Elisabete Pacheco, que apresenta o programa Em pauta na Globo News, fez uma matéria interessante citando meu nome e trabalhos. Agradeço o respeito em relação a minha obra e é mais um incentivo para continuar no ofício labiríntico das artes. 
Nesse link a matéria:


http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-em-pauta/videos/t/todos-os-videos/v/periodo-de-ferias-traz-atividades-culturais-que-saem-do-eixo-rio-sao-paulo/5608331/

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

PANELAS DE AÇO

Por: Marcos Alves Lopes

As panelas se calam quando os cassetetes comem.
O couro docente não escuta o som do panelaço.
No aço, a marca da colher encobre os braços. Pernas.
E não há borracha que apague o silêncio das louças.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

PARA OUVIR O PERFUME



Por: Edu Planchêz


uns malacos tragos na ponta
que diego el khouri deixou
vadiando sobre os ossos
que foram dedos em aleister crowley

comporto em meu céu de estrelas

meu anel de caveira,
a arte de ter-te entre as pernas,
entre os ovários,
nos ovos de prata que compramos
nos arredores de nossas arbóreas saias

barraca armada,

estaca de gametas cravada
no que não rima, no que rima,
no que não rima, no que rima...

mais tragos, mais e mais


a cor vermelha, a cor azul,

a não cor, a cor que invento
para ouvir o perfume,
a fonte do perfume

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

MIJO EM TEUS POEMAS QUE NEM SÃO POEMAS

Por: Edu Planchêz

Mijo sobre seus poemas que nada dizem,
mijo sobre a porcaria de vida que você nos propõe
Mijo em cada pingo de sol,
mijo em você

Cidade sem alma de pessoas opacas,
mundo calado sem o rumo das estrelas,
o que ainda faço em ti?

Homens calados, enrustido em suas casacas de escarro,
eu chamo os filhos do mato para roerem seus pés e mãos,
eu chamo a fada da neve e do fogo da terra para arrombar tuas portas egoístas,
eu chamo a víbora e o cão

Poesia, poeta que não incomoda não merece nem ser chamado de verme,
pois os vermes me dão mais sentidos que vossas cabeças tapadas,
feitas para o preconceito e Reis do dinheiro

O vagabundo aqui assina seu nome no coração desse mundo
com letras de sangue,
se aqui estou não para mergulhar no marasmo de vosso conformismo

Por isso mijo em teus poemas que nem são poemas

terça-feira, 19 de setembro de 2017

PEDAGOGIA DAS FOGUEIRAS

Por: Ikaro Max

outrora as próprias ervas de cheiro, tempeiros, incensos de uso mágico eram vistos como ameaça diante dos dogmas da Santíssima Trindade: pois devolvia aos sentidos a primazia deste mundo & não a arquitetada cegueira de um mundo inventado fora deste.
E as "bruxas" foram perseguidas & queimadas para se arrependerem da profana devoção ao sensível...


Para quê, pois, deixar a estes inquisidores o monopólio das fogueiras & das Noites de São Bartolomeu?

Imensas piras em que obras inteiras, bibliotecas inteiras, Alexandrias inteiras, que datam de Nero a Hitler.

Os catálogos de iguarias
As revistas de sport
Ou de moda
As publicações evangélicas:
& se elas fossem, igualmente,
queimadas?

Não se vê Espírito escrever:
estamos atolados entre corpos & arbítrios
entre privilégios de quem, enquanto casta, legalizou a abominação & o assassinato.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

POR: CAIRO TRINDADE

____________________
Talvez eu viaje
qualquer dia desses.
Ainda não sei quando, nem como,
nem pra onde, nem com quem.

Talvez em bando, talvez contigo,
talvez só, sem ninguém.

Pode ser amanhã,
semana que vem,
daqui a um mês,
ou dois, ou três.

Talvez eu escolha o lugar,
prepare a viagem
e me despeça de todos,
um a um, talvez.

Ou de repente, nem sei,
imprevisivelmente,
quem sabe viaje sem alarde.

Sem avisar, sem dizer nada,
sem que ninguém sequer
venha me ver
na hora exata da partida.

Tudo bem, me perdoem,
nunca é tarde
para qualquer abraço.
Ou despedida.
__________________




sexta-feira, 8 de setembro de 2017

5 POEMAS DO XANDU DO RATOS

Conheci o poeta  Xandu (Alexandre) no sarau Ratos Di versos no Rio de Janeiro em 2013. 

Nesse link a entrevista que fiz com ele: http://fetozine.blogspot.com.br/2016/01/xandu-dos-ratos.html


Abaixo 5 poemas de autoria desse maluco genial:

"VIDAS NAS FAVELAS IMPORTAM" _uma poesia pras favelas todas do Rio é uma poesia para pessoas que vivem a guerra desta cidade; uma poesia pra essas pessoas feridas pela cidade é uma poesia que me inclua como parte da guerra; uma poesia pra favela é uma poesia delicada, uma poesia pra falar de uma guerra na cidade é uma poesia de muita coragem; a favela na cidade é o povo pobre da colina que vive a vida desrespeitada; fala-se da favela: são notícias de crimes, as machetes, a TV faz pessoas invisíveis aos olhos da sociedade; ninguém diz pessoas oprimidas, saqueadas, ultrajadas, ninguém diz a realidade: políticas prontas, sopa de pacote, miojo, política pública de insanidade, sadismo, covardia, racismo, e muita brutalidade, é o povo da lei áurea incompleta; é gente que a cidade engole, é gente como a gente só que pobre, é o pobre que sobrevive e trabalha, mas na hora da guerra quem lá estava num tá, quem pensou que viu já num viu, quem sabe outro dia? num sabe... na hora da guerra quem fica na favela é só a favela, e pra elite qualquer outra noção de beleza já fica suspensa, e as universidades escrevem com tintas vermelhas: coitados! são pessoas carentes! são análises: seres que habitam sub-aglomerados! Estudos dizem da favela em que nasci, ser feliz, sim! há muita felicidade, que lindo! Vejam a colina: cantam RAP, tocam samba, dançam, jogam bola, vivem felizes na comunidade! e fazem graffiti, soltam pipa, pintam e bordam, mas a favela pra essa gente da elite praticamente não é gente - é o "quanto vale o dimenó?" - é "quanto custa o faxineiro?" - "a mulata gostosa! olha lá o paraíba! olho vivo naquele aquele neguinho!" - se a empregada doméstica serve direitinho; e se o peão presta ou não presta nesta obra... muito subemprego na pauta, e se a mãe solteira vai a luta, paga as contas, mulheres chefiam a família, enquanto as crias ficam soltas... e os meninos arrolados nesta falsa luta armada, sem saber (ou talvez até saibam) cumprem ordens do Estado e são colocados na linha de frente pra enfrentar o Estado, e o mesmo Estado dá gargalhadas e neles manda soltar balas! Há quem fique doente, há quem aguente o porrete, há quem se cague nas calças, e tem aquele soldado - peida naun, héin?! ...e lá vem outra chuva balas... a lei não é a lei, a lei é sobreviver, e mais nada, fazer o quê? reaja ou seja morto! são poucos empregos, são baixos salários, as necessidades são muitas, e o estado é precário; ...e esses poetas, pessoas líricas, muitas vezes não podem fazer nada, a não ser poesia; e as pessoas preocupadas no asfalto muitas vezes não podem fazer nada, a não ser passeatas; e as pessoas da favela muitas vezes ficam perdidas, como as balas, não sabem em quem mais confiar, desconfiam, dois passos pra trás! ...pois vemos por lá: é favela, são pessoas-alvos; pois vemos por cá: são pessoas-balas, é o asfalto; quando um vira as costas pro outro, ora a favela janta o asfalto, ora o asfalto janta a favela, e a favela sempre perde muitas vidas nessa rotina de assaltos... susto, sobressalto, o coração dispara e ninguém vê mais nada... são estrondos que assustam! pipocos no claro do dia! muito sangue na madrugada! são várias pessoas _clataplatum-pow que se arrepiam de medo! pessoas clataplatum-pow que enfrentam esse fardo, baita sofrimento! são pessoas clataplatum-pow o tempo todo, mas que ódio! essa bala sinistra de novo! é tiro e mais tiro e mais tiro todo dia, é tiro que tira a vida da criança, é tiro que tira a vida do adulto, atormenta, aleja, e infarta o idoso! são pessoas clataplatum-pow protestando de novo você não sabia? são pessoas _clataplatum-pow PELAMORR, ALGUÉM ME AJUDA!! são pessoas clataplatum-pow SOCORRO!! são pessoas clataplatum-pow ALÔ? EU QUERIA FAZER UMA RECLAMAÇÃ... TUM-TUM-TUM! são pessoas clataplatum-pow ALÔ? QUEM? LIGA OUTRA HORA, TÁ MUITO BARULHO, NÃO CONSIGO LHE OUVIR; são pessoas clataplatum-pow COÉ DOTÔ, O SINHÔ TÁ SURDO? são pessoas clataplatum-pow que sofrem na pele as crises nefastas dos tipos mais corruptos do Estado: na classe política, indústrias, bolsa de valores ,o sistema bancário; são pessoas clataplatum-pow ai que injusto esse aperto no coração! ai jesus, o momento é esse, vem pra perto: do coração! ai, que baita medo, porque tem aquele que aperta... NÃO!! NÃO APERTA O GATILHO, NÃO, POR FAVOR, NÃO!! são pessoas clataplatum-pow e e um coração que diz: pára! e um coração que diz: pára! e um coração que diz: pára! e um coração que diz: PAZ!

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Alexandre Durratos
AVALIAÇÃO: ao avaliar a vida em palavras, excelente nas florestas são as trilhas das formigas, dou nota grupo aos búfalos, nota ave às árvores, nos peixes percebo a qualidade rios, nas baleias qualidade mares; vejo aos urros, cruzando os campos, em disparada, lá está a manada dos poetas em seus 50 tons de selvagens!
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Alexandre Durratos
e eu que pensava ser ela: ela é carioca! ela é carioca! olha o jeitinho dela andar: troca as pernas, bêbada, canta alto, cata os cavacos pelos cantos, braços abertos sobre o corcovado, e eu redento, eu pensava ser ela motivo de aplausos no posto nove, quando a chama acesa mergulha no mar, era isso ou o trato no desenrolo com cana, a grana era pouca, a multa era muita, mito: trava a ponta, maloca ou engole, e eu que entretanto pensava, enquanto pensava, ela pira, e eu que pensava cerveja servida no copo enquanto ela pinga, de bico, direto do gargalo à garganta, enquanto fazia elogios, enquanto fazia e desfazia, ela xinga, cospe, bate, rude, olha que coisa mais linda que vem e que "passa a carteira!", uma graça, balanço, na onda, que vem e me passa a rasteira, quando ela "perdeu playboy!" também era quando _já era! motivos demais para esquecê-la - quem? - já meteu o pé e saiu batida levando os meus sorrisos de smile que ainda nem digitado tinha, agora faz tumulto no meu zap-zap enquanto que coisa mais bela tenta trocar meu celular por uma pedra da gávea, e a paisagem de um lindo domingo de manhã no alto da rocinha _essa não tem preço! ...era tudo ela, por causa do amor...
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Alexandre Durratos
Quando vim para esse mundo já trouxe as mãos calejosas... A peristalse me deixava como? Atento pro ataque à bomba! Soube dos nervos à flor da pele __pela bílis, o fel amargo, a dor no fígado, a depender do cheiro era vômito, mas nos dias ensolarados provei dos desejos, sabores raros, salgados, doces, bico fino, e tesão era ver um par de seios inchados, até que tarde da noite, se o macho vinha com graça... Socando! Socando! Socando por baixo! ...e se eu não fosse baiano também não tinha macaco pro lado _num salto mortal escapei do pior! Agarrei nos pulmões e no desespero subi, escalei as costelas e só fui me acalmar ao som das batidas do coração. Então veio o Fla-Flu _a cada gol dava um chute! _a cada gol dava um chute! Daí me empolguei de vez, mergulhei de cabeça, empurrei o baço, a bexiga, meti a mão na buceta - e já tava lá fora, pra fazer valer o meu fim: só mais um flamenguista a pagar as contas em dia, e fazer minha torcida pelo pay-per-view!
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Alexandre Durratos
Compute-se por anti-matemática! Se não há pressa também não há medo! Acabou a luz, fricção de corpos: energia estática, então: pra quê máquina? Esqueça lá fora, o lance é aqui dentro, então: concentre-se!! O computador traz dor computada, não desvirtue: divirta-se! Conecte-se ao eu interior, sem intermediários, mídias, rastros diariamente, relatórios pra nada! Acabou a luz, a cruz, a virtude acende, então: ascenda-se! Desligue-se! Abra a janela, sinta o vento, areje o cérebro, pressione o enter, nosso programa pra esse momento é: aprecie-se!


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL "ESTUDOS SOBRE O TEMPO DO ARTISTA DIEGO EL KHOURI



E a Exposição Individual de Diego El Khouri intitulada ESTUDO SOBRE O TEMPO finalizou em novo local. Primeiro foi na Galeria Cultura e Cidadania do Procon Goiânia , depois na 588 Art Show e por fim na Vila Cultural Cora Coralina (Goiânia-GO). Em cada  foram expostas telas diferentes que dialogavam e refletiam a questão do tempo.


Exposição Individual: Estudos sobre o Tempo
Artista: Diego El Khouri
Visitação: 14 de Março de 2017 a 10 de Abril de 2017
Local: Vila Cultural Cora Coralina; Goiania (GO)
Curador: Nonatto Coelho
  
*Na exposição contou com a discotecagem do João Gordo
do Ratos  de Porão e B Negão do Planet Hemp. Atrações
promovidas pelo Go Art (evento de tatuagem). 
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"Pintar por pintar; de repente a imagem surge como uma aparição; flertando, ou mesmo em uma orgia direta com a literatura. Despudorado como os verdadeiros demiurgos, esse pintor que transparece paixão e delírio em tudo que faz é Diego El Khouri. Surpreendente a cada passo em sua caminhada corajosa em direção ao futuro que inexoravelmente chega cronologicamente para todos nós, nos recompensando (ou não) de acordo com nossas ações do presente. Diego faz desse momento presente um brilhante limiar de carreira que nos mostra tenacidade, ousadia e intuição, apontando para dias cada vez mais fecundos no seu “metier Artistic”. Esse jovem ansioso por desvendar a vida é um aventureiro no melhor sentido da palavra, sabe o que quer, e olha a vida de maneira pragmática, sem perder o lirismo e a fé na arte. Expressionista intuitivo, tem o elemento mórbido que dá tempero, fecundidade e mistério ao seu exercício pictórico; sua obra está em constante movimento, em que as cores fortes se ajustam à um desenho nervoso, onde o título convida o espectador apenas como a “porta de entrada” no seu universo. Mas, seu subjetivo é muito mais vasto do que o seu sugestivo título. Diego é uma “alma FAUVISTA” atrelada ao léxico selvagem no senso construtivo da palavra. Seus quadros quase sempre em pequenos formatos ampliam elementos do nosso cotidiano, revelando segredos contidos, ou, outras maneiras de percebê-los, como nos alertou Aristóteles já faz algum tempo, em seus tratados sobre arte no áureo período Helênico." Nonatto Coelho de Oliveira. Curador.
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Fragmentos

"Na filosofia, assim como na arte, o tempo nunca se perde, ele só se cria ou se transforma."
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Na filosofia e em todas faculdades humanas ligadas a criatividade e a transformação do indivíduo como ser pensante, reflexivo, a questão do tempo sempre foi estudada de forma séria e profunda. Mas talvez aquele que mais trabalhou esse tema e o modificou para uma análise mais distinta e complexa (para muitos até difícil de aceitar e absorver a idéia) foi o filósofo francês Henri Bergson. Para ele o tempo não se perde, apenas se modifica, transforma. Esse tempo, cada vez mais massivo, principalmente a partir da revolução industrial, com a idéia de angustia excessiva, do medo do fim da juventude, o time is money, a máquina substituindo o humano, e todo o malefício que a brevidade existencial gera, para esse grande filósofo, foi um erro tremendo a sociedade definir o tempo como um fenômeno linear. Esse tempo do século XXI seria então uma imagem ilusória. Quanto mais interiorizamos essa idéia de não linearidade, quando o espaço-tempo se torna diferente para cada indivíduo, a sensação de liberdade chega em um grau máximo de emancipação. A exposição ESTUDOS SOBRE O TEMPO tende a dialogar dessa forma. Colocar cada indivíduo como centro dos acontecimentos partindo de uma experiência pessoal para uma comunicação maior com o mundo afim de obter uma real liberdade existencial e trabalhar a memória pela fragmentação, fazendo desse quebra cabeças uma noção maior de atemporalidade. Essa sensação de passado, presente, futuro, como uma coisa só gera a liberdade. A liberdade (dentro dessas idéias de tempo) seria o núcleo chave dessa exposição.





Título: A música da Morte
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 40 x 50 cm
Título: Fragmentos 
Técnica: mista
Dimensões: 70 x 100 cm

Título: Sutra de Lótus
Técnica: Óleo s/ tela
Dimensões: 80 x 100 cm

Título: Daimoku
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 50 x 70 cm

Título: Iluminação
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 50 x 70 cm

Título: Nam Myoho renge Kyo
(A não linearidade do tempo)
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 80 x 100 cm

Título; Nam myoho rengue kyo
Técnica: Óleo s/ tela
Dimensões: 80 x 100 cm

Título: Réquiem
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 40 x 50 cm

Título: Nirvana (Luz transcendental)
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 80 x 100 cm
Título: Visão Dualística Do nascer e Morrer
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 50 x 60 cm
Título: Releitura da obra " Corpo Inteiro" do fotógrafo Leonard Nimoy
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 40 x 50 cm
Título: Clown na chuva
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 80 x 100 cm

Título: Clown Confusão de cores
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 80 x 100 cm

Título: Clown flautista
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 60 x 60 cm
Título: Sol
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 40 cm x 50 cm
Título: Bon Appetit
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 50 x 50 cm

Título: Bianca Laboissiere
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 30 x 40 cm
Título:Arnaldo Baptista
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 30 cm x 45 cm
Título: Monumento Três Raças
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 60 cm x 80cm

Título: Criação
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 60 x 80 cm


Título: Tudo aos ancestrais
Técnica: óleo s/ tela
Dimensões: 40 cm x 50 cm

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RETRATOS DA COMPOSIÇÃO

Por: Diego El Khouri

Sinto que a psicodelia ( e tudo comigo funciona através da percepção sensitiva), o impacto em um nascer do sol há uns 4 anos atrás, a experiência espiritual com a ayahuasca em um templo xamânico, e agora sobretudo o meu mergulho no budismo de Nitiren me abriu portas e melhorou meu fazer poético/ visual. Analisando todo esse contexto, vendo as capas dos discos após 1968 (época de revolução radical nas estruturas) até o início dos anos setenta, com aquele acúmulo de cores quentes, predominando vermelho, laranja, amarelo, contrastando principalmente com azul cerúleo, azul hortênsia, preto e sépia, me fez sentir participante desse viver criativo da psicodelia fazendo com que meu trabalho (principalmente nas artes plásticas) tivesse uma cara espiritualista/pagã. E a cadência mítica, sonora, paradoxal do budismo mesclando com as cores da arte oriental, os "desregramentos dos sentidos" rimbaudianos , a vida grega dionisíaca do "carpe diem", são elementos frequentes no meu laboratório criativo. Misto de catarse e percepção espiritual, delírio e racionalidade. A gênese do meu trabalho está no estudo das cores que remetem sim a psicodelia, e os "avanços da revolução juvenil" de Woodstock. Mas isso tudo só foi possível graças aquele espanto maravilhoso provocado naquele nascer do sol, daquela madrugada selvagem e dionisíaca— as cores vermelhas/laranja penetradas pelo azul suave e forte, até findar o vermelho, para em um último momento (como em um orgasmo/ a dança voluptuosa dos amantes) pintar o céu de rajadas amarelo de cádmio claro, branco, por fim o azul, o azul, o azul...